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Kaki King em São Paulo: SESC Belenzinho 11 e 12 de Junho de 2011.

Por Miguel Barella, em 11 May 2011

“Tem guitarristas que são bons, e guitarristas que são muito bons. E aí tem Kaki King”.
David Grohl, ex-Nirvana, Foo Fighters

Foto: Sarah Bastin

Se há um(a) guitarrista destes tempos, variada demais para ser capturada em qualquer subgênero, precocemente escolada tanto nas artimanhas do virtuosismo quanto nas do popismo, nas estratégias do pós-rock quanto nas do jazz, no violão quanto nas mais variadas cordas acústicas e elétricas, essa é Kaki King. Ao conhecer o trabalho de Kaki, uma pergunta se coloca imediatamente: mas porque essa mulher não é mais conhecida?

Porque, como mulher – ou mais especificamente como lésbica assumida – Kaki é a anti-Lady Gaga. Nada contra Lady Gaga mas, ao invés de surfar nas possibilidades da popularidade escandalosa, Kaki parece que, nestes 10 anos de carreira oficial, esteve mais ocupada em desenvolver sua relação com o instrumento e com a música em si. Foram razões internas e orgânicas que a levaram a decisões estratégicas como abandonar uma gravadora major (a Sony lançou seu segundo álbum, em 2004) para voltar a seu selo independente original, ou a transitar entre o instrumental e o cantado, o trabalho solo e acústico aos formatos de banda, sem investir numa carreira coerente em um único nicho.

Há formas e formas de lidar com a engrenagem. E, quando se é um gênio – e Kaki é um gênio da música, ponto pacífico – é melhor ser sincero e delicado com o próprio talento. Não só por ser multi-instrumentista e vocalista (passou seus anos de adolescência treinando a ritmica como baterista e baixista em bandas), por ter uma concepção complexa e sofisticada de seu instrumento principal (usa técnicas que vão do mais intrigante tapping ao mais climático looping, explora diferentes afinações, e chega a construir instrumentos, como um híbrido de guitarra e koto) e por seu interesse em outras linguagens, como o diálogo com as artes plásticas e a performance (Kaki tocou para os quadros de Picasso no MoMA de Nova York, e encomendou sua própria exposição de pinturas em violões por 12 diferentes artistas, que coroou com “green fingers”, uma performance em que marcou seu instrumento tocando tapping com os dedos molhados em tinta cor-de-rosa).

Ou por já ter trocado figurinha com gente como David Torn, rei das texturas que produziu seu segundo álbum; John McEntire do Tortoise, que produziu o terceiro (marcando sua passagem do violão para formatos mais roqueiros ou, especificamente, pós-roqueiros – até então, Kaki só tinha usado um pouco de percussão ou instrumentos como a guitarra lap steel para colorir seu som); com os citados Foo Fighters de Dave Grohl e com Eddie Vedder e Michael Brook, na trilha de Na Natureza Selvagem de Sean Penn, pelo qual receberam uma indicação ao Globo de Ouro (também é Kaki que toca os violões do protagonista no filme O Som do Coração, trilha indicada ao Grammy).

Mas por ter partido quase de cara com aparições na televisão, contrato com grande gravadora, longas turnês nacionais e mundiais e principalmente uma bombástica indicação à lista de Novos Deuses da Guitarra da revista Rolling Stone (ao lado de John Frusciante, Jack White, Stone Gossard do Pearl Jam, Jonny Greenwood e Ed O’Brien do Radiohead, Tom Morello do Rage Against the Machine e Omar Rodriguez-Lopez do Mars Volta) em 2007, onde foi a primeira mulher e a mais jovem indicada. Kaki, que é linda e de forte personalidade, demonstrou uma invejável maturidade. “O que isso significa? Se alguém diz que você é uma Princesa Guitarrista Guerreira ou coisa que o valha, significa que alguém tem algo bacana a dizer, mas não sabe bem como. Então você aceita o cumprimento… e sai fora”.

O que seria a plataforma ideal para o lançamento de uma carreira sensacionalista mereceu de Kaki um olhar agudo para o ridículo e o pomposo. Junior, seu último álbum, foi inspirado por histórias da Guerra Fria, e seu fascínio por agentes duplos. É nesse grau de falta de deslumbramento com a mídia, a indústria e com sua própria fama, mas ao mesmo tempo com um senso de humor irresistível e – não há como negar – muito sexy, como se vê nas suas apresentações, que Kaki King constrói sua reputação não apenas de magnífica guitarrista e compositora. Mas de magnífico ser humano. (Texto de Alex Antunes).

Discografia:

Everybody Loves You (2003)
Legs to Make Us Longer (2004)
…Until We Felt Red (2006)
Day Sleeper (Australian Tour EP, 2007)
Dreaming of Revenge (2008)
Black Pear Tree EP (2008, w/ The Mountain Goats)
Mexican Teenager EP (2009)
Junior (2010)

Site:

http://www.kakiking.com/

Serviço:

SESC Belenzinho
Rua Padre Adelino 1.000, Belenzinho, Zona Leste, tel. 11 2076-9700
Dia(s) 11/06, 12/06
Sábado, às 21h e Domingo, às 18h.
Teatro. Duração: 1h20.
Ingressos à venda pelo sistema INGRESSOSESC a partir do dia 01/06.
Não recomendado para menores de 12 anos
R$ 32,00 (inteira)
R$ 16,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante)
R$ 8,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes)


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